O nosso residente Pedro Vilanova foi destaque no Fantástico (TV Globo) na noite de ontem (5). Pedro é um dos idealizadores da Operação Serenata de Amor, uma ferramenta que analisa de forma otimizada os dados da Lei de Acesso à Informação (LAI). Assim, deputados federais têm sido mais cobrados em relação aos gastos públicos.

A LAI fornece, desde 2011, uma gama de dados públicos que podem ser analisados por qualquer cidadão. No entanto, o grande volume de informação torna impossível que interessados verifiquem tudo que está disponível. Com a Operação Serenata de Amor foi criada a Rosie, um robô que analisa os gastos públicos da cota para exercício de atividade parlamentar da Câmara dos Deputados.

A Casa recebe pedidos de cerca de 1.500 reembolsos por dia, uma média de 22 mil notas por mês. Até agora, Rosie identificou mais de 8 mil reembolsos suspeitos. O robô é programado para cruzar dados e rastrear informações com problemas, como notas com CNPJ ou CPF inválidos, pagamentos feitos em locais muito distantes em um curto período de tempo, preços de refeições discrepantes, gastos com bebidas alcoólicas, viagens ao exterior e presença em plenário.

Confira a entrevista do Blog do Manifesto com o nosso residente:

Manifesto Coworking - Como surgiu a Operação Serenata de Amor?
Pedro Vilanova -
A Operação Serenata de Amor surgiu de múltiplos anseios. O Irio Musskopf, nosso líder técnico e cientista de dados, percebeu que dava para fazer algo usando os dados públicos do governo para aumentar o monitoramento social e tentar diminuir a corrupção. Aí ele foi reunindo amigos em torno dessa causa. Começamos com 8 pessoas, no começo do projeto, com o propósito de ser uma iniciativa da sociedade civil que conseguisse impactar no monitoramento das contas públicas usando tecnologia.

MC - Que resultados já foram alcançados a partir da iniciativa?
PV -
A Rosie já analisou mais de 2 milhões de notas fiscais, encontrando mais de 8 mil suspeitas. Nós já denunciamos mais de 600 casos, de 220 deputados diferentes. Infelizmente, o retorno que temos da Câmara ainda é baixo, por conta das leis, que não obrigam a devolução do dinheiro. Mas ainda assim, conseguimos retorno de dinheiro público por denúncias formais ou pelo twitter da robô (@RosieDaSerenata).

MC - Como pessoas comuns podem ajudar o projeto?
PV - Existem várias formas. A primeira delas é ajudar cobrando dos parlamentares. Nós temos 513 deputados. Não dá para apenas a Operação Serenata de Amor fazer o papel de controle. Nossa tecnologia aproxima as pessoas da causa: nós encontramos suspeitas, as pessoas ajudam-nos a cobrar e conseguir resultados interessantes. Também é possível ajudar se você for programador, ou desenvolvedor. Nós somos um projeto open source e boa parte das nossas conquistas se deve à ajuda da comunidade.

Por fim, nós vivemos de crowdfunding, por isso também é importante recebermos ajuda em dinheiro para garantir o funcionamento do projeto. Nosso endereço é o apoia.se/serenata. Qualquer quantia já vale para o projeto. Somos totalmente financiados por pessoas físicas, isto é, doadores, sem empresas, partidos ou demais instituições por trás, e que somos 100% open source. Ou seja, tudo o que fazemos é aberto à comunidade.

MC - Onde a Serenata de Amor quer chegar?
PV - Nós queremos realmente aproximar as pessoas e com isso reduzir a corrupção no país. Nós olhamos gastos com valores muito baixos, chegando a menos de R$ 10. Acreditamos que o desvio e mau uso de dinheiro público começa aí. Nosso objetivo é contribuir para a formação de uma sociedade de controle social onde nada possa passar.

MC - Como os interessados em participar podem entrar em contato com vocês?
PV - Pelo nosso facebook, ou pelo site serenatadeamor.org.

Assista a reportagem do Fantástico sobre a Operação Serenata de Amor clicando aqui.

 

Comment