Leo Ornelas: “Não existe receita neste mercado, mas
uma coisa é certa: se você não interagir, está fora.”

“Agora você vai trabalhar de home office”. Quando a Red Bull decidiu fechar seu escritório em Brasília, realocar seu time e promover o então estagiário Leo Ornelas a coordenador de Marketing da empresa no Centro-Oeste, a notícia que parece um sonho para muita gente se mostrou, para ele, sinônimo de improdutividade.

Nos dois meses que se sucederam, Leo, como é carinhosamente chamado por todos aqui no Manifesto, viu sua atenção focada na mãe, na namorada, no cachorro, na TV, na geladeira, em qualquer coisa que não fosse trabalho. Para tentar se organizar, resolveu trabalhar num café, mas baixa qualidade do acesso à internet local não permitia que ele fizesse nem mesmo uma conferência com sua equipe.

“A luz no fim do túnel veio em junho de 2016, quando meu amigo Eduardo Mujica, meu atual sócio, me convidou para trabalhar do escritório que a empresa dele, a Manifesto Lab, dividia com a empresa de sua irmã, a Avocado Design. Começamos a perceber que, ao trabalharmos com as três empresas – Manifesto Lab, Avocado e Red Bull –  estávamos tendo um progresso enorme no nosso dia a dia, com novos fornecedores e clientes. Essa interação estava gerando novos negócios para as 3 empresas”, lembra.

O crescimento dos negócios fez com que ele se interessasse e pesquisasse sobre Coworking, assunto que ele dominava pouco na época. “Eu me apaixonei pelo tema e comecei a estudar a fundo tudo que se dizia sobre ele. O momento coincidiu com as minhas férias e eu aproveitei para visitar alguns Coworkings fora do país, para entender melhor esse mercado. Quando retornei, em agosto, estava decidido a abrir um Coworking em Brasília”, conta Leo, um dos sócios do Manifesto Coworking.

Sem meias palavras, a iniciativa trouxe um novo sentido à sua vida profissional, agora ao lado de Eduardo Mujica e de mais dois sócios que toparam o desafio e investiram consolidação do projeto – os gêmeos Alexandre e Eduardo Coelho, que comandam um restaurante e já tinham muita expertise em eventos. “Este é, sem dúvida alguma, o projeto mais importante da minha carreira. Desde a concepção da ideia até hoje, o desafio tem sido imenso e diretamente proporcional à minha felicidade”.

CONEXÃO –  Se o Manifesto elegeu como sua a principal missão promover a conexão entre as pessoas e seus propósitos, isso tem muito a ver com a essência da personalidade de Leonardo para quem o contato com os residentes é a melhor parte do trabalho. “Eu gosto muito de conversar com todos os residentes, saber o que fazem, seus projetos, hobbies, vida social, e depois de saber tudo, procuro conectá-los com algum outro residente aqui de dentro. É aí que a mágica acontece! Novos clientes, fornecedores e até amigos surgem!”.

Para ele, aliás, o mais importante na profissão que abraçou é estar aberto a novas ideias, pessoas e conceitos. “O papel do gestor de um Coworking é de facilitador/conector. Isso, na minha opinião, tem que ser 80% da sua dedicação. Os outros 20% são dedicados a trabalhos administrativos e estratégia. Não existe receita neste mercado, mas uma coisa é certa: se você se excluir ou não interagir, está fora”.

Sempre disposto a conversar e com um sorriso no rosto, Leo defende com unhas e dentes a integração, a confiança e o compartilhamento como chave do sucesso e de um bom ambiente de trabalho, e vai além: na opinião dele, é preciso que os coworkings tenham uma relação entre si, seja na própria cidade ou até mesmo em outros estados e países.

“O sentimento de colaboração tem que ser genuíno e aliado a um propósito. O do Manifesto é ajudar Brasília (e o Brasil) a serem mais empreendedores. Para isso, algumas ferramentas têm papel central, como a promoção de eventos gratuitos, a prática de preços competitivos e a adesão a projetos sociais”, detalha.

No corre-corre do dia a dia, manter o equilíbrio entre o trabalho e vida pessoal tem sido um exercício diário. “A tríade perfeita entre família e saúde / vida social (amigos / trabalho é impossível. Desde que abrimos o Manifesto Coworking, tenho uma jornada média de 12 horas de trabalho; às vezes, até mais! Tento distribuir o tempo para manter um certo equilíbrio entre todas as áreas da vida, mas nem sempre consigo. Se alguém souber a fórmula, me conte!”, brinca.

Alguém aí se identifica? 😊

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