Fula, da Look ‘n Feel: “seremos pra sempre beta”

Luís Carlos Costa é o seu nome de nascença, mas todo mundo o conhece por Fula, um apelido de criança dado pelo irmão. “Sem querer”, e sem mais explicações. Aos 29 anos, formado em Administração pela UnB, Fula é sócio da Look ‘n Feel, uma agência brasiliense que surgiu em 2011, com dois sócios (o João e o Lucas) em uma mesa de um café. Sete anos depois, a LnF possui 10 sócios, 60 colaboradores e se transformou em uma rede dividida em 5 áreas que atuam desde a publicidade convencional a metodologias criativas de educação para empreendedores e crianças.

Fula e uma parte da equipe passaram quase três meses no Manifesto Coworking e foi uma experiência super intensa. Nesta entrevista, falamos de negócios, economia colaborativa, entre outros temas. O post não tem gostinho de despedida, mas de até logo.

 

Vamos começar pelo surgimento da Look ‘n feel...


A gente nasceu como uma agência no final de 2011, da vontade de empreender dos dois sócios fundadores, o João e o Lucas, e foi algo muito orgânico. O João entendia muito de gestão e o Lucas havia recém-chegado de uma experiência do Canadá, trabalhando com tecnologia. Aí os dois, muito amigos, criaram uma agência que nasceu como digital. Começaram os dois sem investimento, trabalhando em um café. Entrei em 2014 como o terceiro sócio da agência. De 2014 a 2016 vivemos uma série de mudanças, nos reposicionamos como agência full service.

No final de 2015 passamos por uma situação que achamos que iríamos quebrar. Até 2014 só tínhamos cliente pequeno, que é um modelo de negócio. E começamos a atender alguns grandes, que têm outro tipo de demanda. Com dois tipos de cliente funcionando na mesma máquina, vimos nosso atendimento piorar muito. Começamos a perder conta.

Então percebemos o risco de quebrar e veio o desafio de pensar como fazer esse ecossistema ficar, ao mesmo tempo, mais seguro para evitar esse risco e não ter esse ônus de crescer e fazer uma entrega ruim. Resolvemos então “explodir” a agência em três e começou daí o movimento de tornarmos rede.

No final de 2016, criamos a nossa primeira iniciativa em educação a Look ‘n Feel Talks, trouxemos a Canvi (que também desenvolve trabalhos na área de educação, só que focado em crianças). Hoje são cinco empresas na rede: LnF Publicidade (onde concentramos as grandes contas), LnF Inbound (só de digital e performance), LnF Lab (onde desenvolvemos projetos de marca), LnF Talks e LnF Canvi, as duas na área de educação.

 

O que inspirou vocês a chegarem a esse modelo de rede?

O nosso divisor de águas foi o contato com a Perestroika. Em 2013, quando eles abriram em Brasília, começamos a nos envolver com a comunidade e a fazer os cursos. Praticamente zeramos a programação. O curso de Empreendedorismo Criativo foi que nos deu esse clique de virar rede. Esse mercado de educação mais prática é muito pouco atendido em Brasília, tanto é que resolvemos empreender nessa área também com o LnF Talks. São programas mais livres.

 

Fala um pouco sobre ela

Essa unidade ainda é nova, fizemos um protótipo no ano passando dentro da Lab, mas, como queremos que esse ano ganhe tração, já decidimos que eu ficaria dedicado a este braço.

Ainda estamos aprendendo muito sobre o Talks, mas enxergamos hoje como um projeto que cria espaços de aprendizagem. Temos um papel mais de facilitador do que de professor. Fazemos uma curadoria de conteúdo e usamos em nossas aulas. Usamos também muito da nossa experiência para trazer exemplos pros nossos alunos. É uma proposta de facilitar a aprendizagem, de forma organizada e criativa.

 

Pode dar um exemplo dos cursos que vocês realizam?

Fizemos, no ano passado, um curso que a gente chamou de “Do it Yourself”, comunicação de garagem para empreendedores. Desde o início da nossa carreira, a gente vive dos dois lados: como empreendedores e como agência. E, podendo transitar pelos dois lados, a gente percebe que alguns serviços são contratados, mas que, se o empreendedor fosse um pouco mais antenado, não precisaria de agência pra fazer. Então a gente se propôs a levar isso pro mercado de empreendedores, e é algo que você não encontra em outra instituição de ensino. Foi um mega sucesso, porque teve desde pessoas mais velhas procurando reciclagem a jovens que acabaram de sair da universidade.

Os próximos cursos da LnF Talks serão realizados em parceria com a R2 Produções, dentro do projeto Transpiração, que acontecerá de 2 a 9 de fevereiro, no Carnaval no Parque. Serão encontros sobre sustentabilidade, propósito de marca, gerenciamento de crise, tecnologia, brand experience, atendimento, entre outros temas.

 

Vocês se autointitulam uma “Agência de donos”. O que isso quer dizer?

A Perestroika tem um modelo onde todo mundo pode ser sócio, que foi o que fizemos aqui. Eu fui o último que virou sócio sem ter sido funcionário. Depois de mim, todos começaram menores na rede. Teve gente que começou como estagiário, por exemplo. Nós entendemos que, quanto mais abrirmos oportunidade para sócios, mais forte seremos.

 

Quais são os principais desafios de empreender em rede?

Empreender em rede é uma proposta muito nova, que te desafia. Temos um desafio grande de formar gestores, que é bem complicado. Quando você tem uma empresa só, você tem só um head. Quando você tem 5, você precisa formar 5 heads. E formar pessoas que tenham a capacidade técnica da entrega, mas que tenham a visão de gente, de financeiro, de modelo de negócio, é um grande desafio.

Ao longo desse caminho, aprendemos, tomando muita pancada, que entrar em coisas sem capacidade de gestão, é a maior fria. Ao longo desses seis anos, nos envolvemos em outras iniciativas que não foram pra frente porque não tinha um gestor cuidando. E assim não vira. Então uma das principais lições que aprendemos no caminho foi: vamos abrir uma coisa nova? Tem que ter alguém muito bom dedicado full time.

Esse modelo de rede, mais colaborativo, com todo mundo sendo sócio, tende a mudar muito rápido, o tempo todo. Como vocês fazem pra se manterem atualizados?

A gente tem um valor-base pro grupo que é “ser pra sempre beta”. A gente acredita que, quem já tem versão final, vai ficar velho rápido. Esse é o nosso desenho que funciona agora. No geral, o mundo passa por um momento transitório, estamos saindo de um modelo falido e não sabe direito pra onde está indo. Como vai ser daqui a 5 anos? Não sabemos. O que sabemos é que cada vez a mudança vai ser mais rápido. Então estamos olhando pra gente do ponto de vista de ser cada vez mais líquido, mais ágil, e a iniciativa de estar em um coworking diz muito a esse respeito (até a semana passada, a Look n’ feel estava com as unidades de Talks e Lab no Manifesto).

 

Vocês estão se despedindo do Manifesto…

Sim, estamos em uma fase de transição. Vamos ficar três meses dentro de um cliente para desenvolver alguns projetos com ele. E a partir de maio, vamos juntar todo o grupo em um ambiente de coworking.

 

Pela sua experiência no Manifesto, quais são as vantagens de trabalhar em um coworking?

Vejo muitas vantagens, e a principal pra mim é não ter limitação de escritório, nem pra cima, nem pra baixo. Se você ganhar ou perder cliente, tem como flexibilizar espaço. Chegamos a um tamanho de 60 pessoas, é muita gente pra cuidar. Gerir um escritório desse tamanho é um trabalho que podemos evitar em um ambiente de coworking. Focamos nossa energia em nossa atividade-fim. E aí quando chegamos aqui no Manifesto, está tudo limpo, o café tá pronto, é muito melhor.

Além disso, fizemos negócios aqui. Também conseguimos alguns fornecedores, que pra gente é bem legal, porque dependemos muito de capacidade de entrega e aqui tem muita gente fazendo um trabalho bom. Encontramos aqui também um monte de cliente que já atendíamos, e isso ajuda a dinamizar a conversa. Foi uma experiência muito positiva. Não queríamos sair, o nosso sonho dourado é que aqui coubessem as 60 pessoas, mas estamos saindo só porque vamos pra casa de um parceiro e depois precisamos juntar todo o grupo.

Sobre o mercado de comunicação, queria que você falasse sobre sua percepção de como esse mercado pode causar impacto na comunidade.

A tecnologia tem um papel muito importante nisso, porque segue democratizando os canais de comunicação. Hoje em dia, temos clientes que faturam milhões e que tem o orçamento de mídia em digital. Há cinco anos isso não existia. Como o canal é de todo mundo, não tá mais na mão do diretor de uma emissora o que você vai consumir. A gente entende que a publicidade tem que acompanhar isso. A Publicidade sem o conteúdo não existe. E não funciona mais a lógica de antes, de passar apenas uma mensagem. O “Compre Batom” já funcionou. Hoje o que dá certo são as empresas que não contam a história, mas que fazem parte dela e causam impacto. É a diferença do storytelling pro storydoing. Tem um ponto muito chave que é o lance da verdade. O consumidor quer que você entregue a sua verdade. Hoje não devemos mais falar em valores da marca, mas nas verdades dela. No que sua marca acredita?
 

E para 2018, quais são os planos?

Esperamos consolidar esse momento de rede. Crescemos praticamente 100% de 2016 para 2017. E achamos que o modelo que adotamos tem uma boa importância nesse crescimento. E estamos entrando com força no mercado da educação.

 

Por que esse mercado?

Dentro da empresa temos uma verdade muito forte que é tornar o mundo um lugar mais empreendedor. É o nosso grande sonho, nosso rolê.


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