Brasiliense, com 33 anos, aos 14 Gabriel Silva começou a programar sozinho. Tecnologia sempre foi uma de suas paixões, tanto que resolveu cursar Engenharia Elétrica na UnB para entender como os computadores funcionavam. 

A carreira na área de Tecnologia é bem extensa. Gabriel passou por agências e empresas brasilienses, até que saiu do país para  trabalhar na equipe de desenvolvimento web na OIT em Genebra, na Suíça. Quando voltou para o Brasil, fundou com um amigo a Flow e-commerce. Depois disso, começou a trabalhar remotamente para empresas dos Estados Unidos e da Europa através da Toptal, empresa para qual trabalha até hoje como tech lead da equipe de desenvolvimento. 

Gabriel Silva é um dos residentes do Manifesto e topou bater um papo conosco. Confira a entrevista.

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Manifesto Coworking - Você teve sua própria empresa durante 9 anos e hoje trabalha para outra empresa. Foi difícil empreender? Por que começou a trabalhar para outra empresa?

Gabriel Silva - Sem dúvida alguma a época em que mais aprendi na minha vida foi quando tinha a Flow E-Commerce. É difícil pacas empreender, no Brasil ou em qualquer lugar. E, ao mesmo tempo que é muito recompensador, exige muito do empreendedor. É o tipo de coisa que muda a vida de uma pessoa completamente, sem dúvidas. Uma das coisas que mais exigia de mim pessoalmente era ter a atenção desviada para milhares de assuntos, literalmente, o tempo inteiro.

Trabalhar pela Toptal tem me dado a oportunidade para focar nas áreas que curto mais — basicamente tudo relacionado à tecnologia — e trabalhar com estas empresas tem me feito aprender muito em gerenciamento de infraestrutura, gerenciamento ágil de equipes e desenvolvimento.

MC - Como surgiu o seu interesse por tecnologia?

GS - Quando eu tinha 14 anos um computador era uma coisa muito nova, e despertou demais meu interesse. Demais mesmo, rs. Eu passava noites em salas de Mirc e navegando pela internet. Achava fenomenal ter acesso a tudo aquilo, e naquela época já era possível ver que a internet ia mudar tudo. E uma parte que naquela época ainda era muito incipiente era o e-commerce, mas que para mim era algo que era bem claro ser o próximo passo — as pessoas iam passar muito tempo no computador, e consequentemente iam se relacionar com empresas por ali de alguma forma, e o e-commerce tinha que aparecer. Na época, a Amazon já vendia livros nos USA, mas aqui não tínhamos nada disso aqui no Brasil.

MC- Quais são os desafios do e-commerce hoje? As principais tendências... Sabemos que é um mercado em crescimento, mas queria que falasse sobre a transformação desse mercado.

GS - São vários desafios, sem dúvida. O e-commerce é tão competitivo quanto, ou mais, do que qualquer varejo físico, e exige muito em termos de investimento — e até hoje ainda há quem pense que é só criar o e-commerce e as vendas vão aparecer da noite para o dia. Hoje em dia há uma tendência muito grande de centralização das vendas em grandes players, os market places, e isto faz com que as margens do varejista fiquem menores ainda. Há uma tendência cada vez maior de se fundirem as experiências físicas e virtuais para o consumidor final, o chamado omni channel. E há também uma tendência muito grande em cada vez mais se trabalhar com dados da sua base para a criação de experiências personalizadas. Isso tudo é algo que envolve muito investimento em tecnologia e pesquisa. Então, ao mesmo tempo em que há muita oportunidade, o esforço para se ter um negócio relevante é maior. Mas os números são muito positivos e as projeções de crescimento idem, então é uma oportunidade que, sem dúvida, deve ser analisada por empresas que ainda não estão atuando.

MC - Como é trabalhar remotamente? Sua equipe também fica em outros locais? Você acredita que isso é uma tendência nas empresas de outros países?

GS - Trabalhar remotamente é provavelmente mais exigente do que trabalhar em um escritório físico. Isso por que, estando fora de um escritório, você está sozinho e livre para “apenas” trabalhar. Isso faz com que você consiga ter muito mais tempo para de fato trabalhar — menos reuniões, menos cafézinhos… Sem dizer que a disciplina tem que vir toda de você para que o trabalho aconteça. A equipe com a qual trabalho hoje está bem distribuída. Há 2 desenvolvedores trabalhando na matriz em NY, mas o restante está espalhado: Brasil, Índia, Paquistão, Rússia e Vietnam.

E, para mim, é bem claro que isso é algo que cada vez mais vai ser comum. Só não acontecia antes por que não tínhamos a tecnologia para isso. Há alguns tipos de trabalho que claramente não podem ser desempenhados remotamente, como enfermeiras, por exemplo, mas outros como desenvolvimento de software casam muito bem com o trabalho remoto. Não só em outros países como no Brasil também, isso é algo que já acontece bastante e creio que vai acontecer cada vez mais.

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