Ela tem 26 anos e há cinco está na Endeavor. Formada em Engenharia de Produção pela UNICAMP, Julia Dias já tem uma história bem bacana na instituição. Coordenou o Visão de Sucesso, projeto da Endeavor em parceria com o BID e o Itaú, até 2014. Nesse período, selecionou e apoiou mais de 100 negócios. Em 2015, ela foi para o Ceará tocar a operação da Endeavor no Nordeste. Em 2017 assumiu o desafio de começar a área de mobilização da Endeavor junto ao governo federal e se mudou para Brasília, quando começou a frequentar o Manifesto Coworking.

 

Batemos um papo com a Julia sobre empreendedorismo e economia colaborativa. Veja a entrevista abaixo:

 

Manifesto Coworking - O Brasil é um dos países que mais empreende no mundo, mas em relação à economia colaborativa, você acredita que ainda estamos engatinhando? Quais são os pontos positivos no mercado brasileiro?

 

Julia Dias - Economia criativa é um conceito novo, mas tenho certeza que muito empreendedor brasileiro se encaixa nesse conceito, sem conhecê-lo. O brasileiro é conhecido pela sua criatividade.

 

Ainda sim, temos grandes desafios envolvendo o ambiente para se empreender no país. Apenas 9% dos empreendedores dizem se capacitar para empreender e 10% querem gerar emprego nos próximos anos. Isso mostra uma falta de preparo e ambição dos empreendedores, que, na maior parte das vezes, estão empreendendo por necessidade.

 

Somos enterrados por um ambiente regulatório super burocrático. Estamos em 125° no doing business, levando mais de 2.000 horas para lidar com a burocracia (pesquisa da Endeavor: Burocracia no Ciclo de Vida da Empresa - 2017).

 

Você já conhece a campanha “Burocracia para tudo” da Endeavor? Acesse o site oficial da campanha e participe!

http://www.burocraciaparatudo.com.br/

Dado toda essa complexidade, o empreendedor tem pouco tempo para focar em aumentar a competitividade do seu negócio e pensar em como inserir a economia criativa na sua estratégia.   

 

MC - E quais são os desafios que ainda devemos enfrentar nessa área?

 

JD - Em qualquer setor é importante alinhar a causa a um modelo de negócio sustentável. Empreender é resolver um grande problema, melhor do que seus concorrentes - e no empreendedorismo criativo não é diferente. Um negócio criativo vai gerar mais impacto na medida em que ele cresce rapidamente e consegue mais escala e alcance. Assim, ele multiplica seu impacto e se torna um exemplo a ser seguido, inspirando a futura geração de empreendedores.

 

Mas, para isso, é fundamental alinhar boa gestão, time forte, um modelo de negócio escalável - incluindo um modelo de receita - e muita resiliência para enfrentar os desafios de se empreender. Por fim, o empreendedor precisa crescer junto com o negócio (se desenvolvendo e aprendendo a ser um líder cada vez melhor), caso contrário ele pode virar gargalo do crescimento.

 

MC - A Economia Colaborativa é um dos principais caminhos para o empreendedorismo de impacto social?

 

JD - Não existe um único modelo para gerar impacto social. Em cada indústria a Endeavor vê empreendedores criando negócios com modelos diferentes e que podem dar certo e ter impacto. O importante em todos eles é ter preparo, um time forte para fazer o negócio crescer e resolver  um problema real. Afinal, apenas vai existir um negócio de fato se existir um problema a ser resolvido.

 

MC - Como você avalia a importância da economia colaborativa no desenvolvimento do empreendedorismo brasileiro? Você acredita que as novas gerações são mais abertas a este modelo econômico?

 

JD - As novas gerações estão cada vez mais se preocupando em como gerar um impacto positivo. Existe uma tendência cada vez menos individualista e mais colaborativa, então é natural que a economia criativa seja mais atraente para esse público. Seja para levantar capital colaborativamente (Catarse, Broota), compartilhar local de espaço de trabalho e conhecimento (Manifesto), seja fazendas urbanas colaborativas (BeGreen). Em Brasília vemos um movimento super interessante de ocupação do espaço público, por exemplo.

 

MC - Você acredita que a economia colaborativa será o principal modelo no futuro?

 

JD - Se definirmos a economia criativa como um modelo de buscar formas criativas para resolução de problemas, sua relevância será cada vez maior. Nesse conceito, temos desde empresas de tecnologia com soluções de impressão 3D, nanotecnologia e inteligência artificial até empresas da economia tradicional que encontraram modelos criativos para aumentar a sua competitividade. Levando em consideração que estamos passando por um avanço exponencial da tecnologia disponível, com certeza, a criatividade será essencial para ser competitivo, independente do seu mercado.

 

MC - O que acha do modelo de coworking? E do Manifesto?

 

JD - A Endeavor acredita que o empreendedor precisa estar sempre atento a novidades e ter ao seu lado pessoas que possam ajudá-lo a executar as estratégias mais adequadas para a empresa alcançar seus objetivos.

 

Buscar mentores ou outros empreendedores que têm conhecimento sobre os seus desafios no negócio é fundamental. Empreendedores tradicionais, de tecnologia, criativos, todos eles podem usar de colaboração para fazer o negócio ir mais longe e ter mais impacto. A Endeavor acredita que aprender com quem já fez e buscar se capacitar constantemente são peças-chave para aumentar as chances de sucesso.

 

Coworkings facilitam essa troca entre empreendedores, que é sempre riquíssima. O Manifesto está fazendo um trabalho maravilhoso nesse sentido - e isso tudo em um ambiente super bonito e gostoso de se trabalhar.

 

Obrigada, Julia, por conversar conosco!

 

Venha nos visitar e experimente trabalhar conosco ao lado de um bom café e pessoas incríveis. :)

Comment